domingo, 26 de junho de 2011

ENTREVISTA COM LIDIANE VIA ORKUT


Dia desses, passando pela comunidade no orkut, vi um tópico que me chamou muita a atenção, uma história de uma menina que seria praticamente expulsa de casa simplesmente por que a sua família não aceita seu ateísmo.

Uma coisa que me deixou extremamente triste por que também sou ateu mas miha família jamais faria isso comigo. Imaginei-me na pele dela e resolvi entrevistá-la neste jornal, como uma forma de protesto em seu apoio pela liberdade de não crer em nada mísitico e pelo direito de ser respeitado por isso.

O nome dela é Lidiane, e ela sofre na pele um preconceito dentro da própria casa.Lidiane é nascida e mora no estado de São Paulo, atéia participante da comunidade "ateísmo e anticristianismo".

Esta entrevista é o modo de expressar todo o meu respeito pela sua liberdade de escolha. Saiba que tem o meu total apoio. E lhe desejo, Lidiane, muita sorte na vida.

Vamos à entrevista, então:

Ateu Poeta:
1° Por que você decidiu ser atéia?

Lidiane:
Ser atéia nunca foi uma decisão para mim.Nasci em uma família extremamente religiosa e que segue um pensamento puritano.

Simplesmente um dia, lendo um folheto religioso, me surgiu a pergunta: “Por que eu acredito em Deus?” e infelizmente – ou talvez felizmente – não houve resposta.Passei então a buscá-lo, a fim de reafirmar minha fé, mas o resultado foi o contrário.

No começo eu acha que duvidar da existência de deus era algo repulsivo, inadmissível; rejeitei muito um possível ateísmo, e muitas vezes me peguei dizendo “É claro que eu acredito, não posso duvidar ” “Deus existe! Há provas disso por todo lado”.

Quando percebi que estava sendo hipócrita ao querer enganar a mim
mesma, ao invés de aceitar minhas dúvidas, comecei a ter uma visão mais crítica,
a questionar, e a não me contentar em não entender determinadas coisas. Foi aí
que eu entrei num período de transição; primeiro virei agnóstica, hoje sou
atéia.

AP: 2° Qual o pior preconceito que sofreu a este respeito?

L: Ainda hoje tenho muita dificuldade em assumir meu ateísmo. Passei um ano e meio escondendo de todos e, inclusive, da minha família.Um dia cansei de agir como se eu ainda fosse uma cristã; Contei pra minha família.
Meus pais rejeitaram meu ateísmo, foram preconceituosos e quase me rejeitaram também.Disseram-me: “Não somos obrigados a conviver com alguém tão diferente de nós” “Quando você fizer dezoito anos não precisa mais voltar para casa”.

Depois de tanta discussão, minha mãe chorando disse: “Então você não acredita em nada?! Você precisa acreditar em alguma coisa... e quando você precisar de ajuda, a quem
vai pedir, pra quem irá pedir um refugio ou consolo?”.

Nesse momento, mais do que nunca, percebi o real motivo da fé...Meus pais só me fizeram ter a convicção de que o ateísmo é a forma mais coerente de enxergar o mundo.

AP: 3° O que você acha que é necessário que aconteça para que o
preconceito contra os ateus diminua?

L: Não sei dizer ao certo. Sabemos o quanto a religião tem um poder muito grande de influência sobre as pessoas, e é exatamente a religião e a própria bíblia que condicionam o pensamento preconceituoso contra nós ateus.

A maioria das pessoas tem uma visão distorcida e generalizada de nós, por isso, para que consigamos diminuir esse preconceito nós devemos mostrar às pessoas quem somos, o que pensamos, o quanto podemos ser morais, bons e éticos sem termos religião ou crença.

AP: 4° O que a faz continuar sendo atéia?

L: Posso manter um olhar critico, aceitar ou rejeitar algo sem ter precisar me manter centralizada num conceito espiritual ou dogmático.

A visão religiosa fecha nossos olhos para muitas coisas, faz-nos enxergar somente aquilo que queremos ver ou aquilo que nossas crenças permitem/querem mostrar, mas não o que realmente acontece.

O que nos torna humanos é a consciência, e eu posso usar a minha sem ter que aceitar tudo o que um suposto deus faz e escolhe, estando certo ou errado, só porque ele é um deus.O único motivo, e por si só suficiente, para me fazer continuar sendo atéia é a falta de razões para crer em um deus especifico em meio a tantos outros deuses.

AP: 5° Deixe uma mensagem para aqueles que temem os ateus.

L: Você já parou para pensar que independente de crença as características
que mais importam em um ser humano é o caráter, a bondade, o altruísmo, a ética
e o amor? Todas essas coisas não se adquirem crendo, nem descrendo de deuses, mas simplesmente as temos, ou não.

Nós ateus, podemos ser tão maus ou tão bons quanto qualquer um quesente-se ao seu lado na igreja, que se ajoelhe e reze para Deus, leia a bíblia frequentemente
ou qualquer um que te cumprimente segundo os costumes da sua igreja.

Você sabe disso, só não aceita.

Entrevista concedida em 18/06/2010
Ceará-São Paulo, via orkut e via e-mail