quinta-feira, 26 de março de 2009

DÍZIMA RACIONAL

DÍZIMA RACIONAL

A pretensa razão não é algo em si e sim a representação pictórica da verdade que tanto buscamos. Não se trata da coisa em si mesma, ao invés, o que se a apresenta em seu lugar é uma bela abstração.

Não há em nós temos maior que a morte e dúvida superior à vida e seus processos cosmológicos até chegar em nós por meio de uma evolução complexa difícil de entender e acreditar.

Se a Matemática, uma ciência dita exata, comporta números irracionais e fracionados com divisões inexatas que acabam em dízimas periódicas, eu poderia transplantar essa idéia para o plano geral de natureza e propor que a Verdade é uma dízima periódica?

Então, as coisas também a seriam, todo o Universo não passaria de uma imensa fractal e como tal apenas nos confunde aparentando uma infinitude fajuta?

Para tanto, a própria razão não poderia ser racional em seu todo, ela seria apenas uma fração arredondada para que nossos tão preciosos cálculos sejam possíveis rumo aquilo que talvez jamais responderemos.

Viver é mais importante que contar, contudo, aos curiosos cabe vasculhar a História para com ela aprender, quem sabe, a viver mais e melhor, colhendo das próprias análises um aproximar de porquê do que aconteceu e advirá para empregar no presente.

Vivemos inteiramente para os outros ou para algo além de nós. Em vez de aceitarmos simplesmente que não há porquê da existência a buscamos em algo fora de nós mesmo, exceto se você for um autista, nos apegamos a amigos, colegas, conjugue, família, sociedade, coisas materiais, cultura, deuses e outros seres ditos sobrenaturais.

Nesse ponto os autistas enxergam além, eles vêem a si mesmos, ao contrário da maioria que procura fora de si um espelho que não nos reflete a face: Natureza, beleza, dinheiro, paisagens imaginárias, aceitação, prazer, poder de vida e morte sobre algo, criação de uma coisa até agora inexistente para melhorar a auto-imagem perante a alguma coisa fora de você, entre muito mais de um mar ideológico implantado natural e artificialmente em nossa mente para alçar uma identidade que sequer se define direito.

Somos caçadores do inalcançável. Uma façanha tipicamente humana é criar sempre e guardar informação fora do cérebro; no caso a Arte, como grande exemplo, a própria escrita. Sem palavras transcritas não seria possível passar tanto conhecimento através de milênios, uma vez que oralmente muito se perde.

A oralidade é muito importante para guardar a cultura transmitida que formou parte da nossa identidade cultural a nos diferenciar do resto do mundo. Quando uma cultura de massa em globalização se propaga mundialmente apaga tudo aquilo que somos.

Estamos re-programados, sabendo muito mais sobre os atores e todas as futilidades da vida particular deles que de nossos bisavós. Um ator de novela não pode me fazer entender como virei o que sou dentro de uma sociedade particular que em criou, menos ainda fará por mim um fantoche de reality-show ou um programa de auditório; é quando esqueço quem sou.

Segundo Nietzsche, os problemas deveriam ser encarados de frente e de cara limpa para que pudéssemos resolve-los e nada mais nos traz à tona todos os problemas que a história-local; ela existe para que olhemos nos espelho, não como Narciso, mas como um cientista feito Arquimedes, que saiu nu no meio da rua gritando: _Eureka!

AROLDO FILHO
Pacoti-Ceará, 11/03/2009